Gloria e Flamengo privatizados. Cidade de quem?
A paisagem da Glória, do Aterro e da Praia do Flamengo sempre vendeu a imagem de um Rio democrático: espaço aberto, horizonte livre, gente diversa ocupando o que é, em tese, de todos. Mas essa ideia vem sendo discretamente desmontada, não com britadeiras, mas com grades, credenciais e “eventos exclusivos”. Nos últimos anos, a prefeitura tem demonstrado uma curiosa generosidade ao permitir que empresas privadas se apropriem desses espaços públicos sob o pretexto de “revitalização”, “ativação urbana” ou qualquer outro eufemismo que soe moderno o suficiente para não soar como privatização disfarçada. Na prática, o que se vê é um processo contínuo de cerceamento: áreas antes livres passam a ter acesso controlado, eventos pagos substituem o uso espontâneo, e o cidadão comum vira um mero figurante que paga impostos, quando não é simplesmente convidado a se retirar. A Marina da Glória talvez seja o exemplo mais didático dessa lógica. O espaço, que deveria funcionar como equipamento púb...